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Novas gravações obtidas pela Polícia Federal indicam que a articulação para um golpe de Estado no Brasil permaneceu em andamento até 29 de dezembro de 2022 — apenas dois dias antes da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ocorrida em 1º de janeiro de 2023.
Os áudios envolvem o agente da Polícia Federal Wladimir Matos Soares, preso por participar do núcleo operacional do plano golpista. Em conversa com um aliado, Wladimir lamenta o recuo do então presidente Jair Bolsonaro (PL) e relata que a tentativa de golpe ainda era considerada viável na véspera da fuga do ex-mandatário para os Estados Unidos.
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“O presidente vai dar para trás”, diz Wladimir na gravação. Questionado sobre o que isso significava, ele responde: “Vai fugir!”. Ao ser perguntado se havia real chance de reviravolta, afirma: “Até ontem!”.
Detalhes do plano
As conversas revelam que o grupo discutia medidas extremas, como a prisão de ministros e o assassinato de autoridades. Em um dos trechos, Wladimir menciona o envio de Michelle Bolsonaro aos Estados Unidos um dia antes do embarque do ex-presidente, ocorrido em 30 de dezembro de 2022.
Embora a Procuradoria-Geral da República e o Supremo Tribunal Federal considerem que os áudios reforçam provas já reunidas em outras frentes de investigação, o conteúdo intensifica a dimensão política da trama.
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Impacto político
A divulgação das gravações pressiona diretamente aliados do ex-presidente, entre eles o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), que chefiava a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o período. Agentes ligados a Ramagem aparecem em conversas ocorridas, inclusive, dentro da sede da Abin.
A revelação também gera desconforto para o atual presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que tem atuado para proteger Ramagem no processo que investiga a tentativa de golpe.
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Wladimir Matos Soares, natural de Salvador, atua na Polícia Federal há mais de duas décadas. Segundo a investigação, ele espionou integrantes do novo governo e armazenava registros das tratativas golpistas em computadores da própria corporação.