Relatório aponta que agente da PF registrava conversas golpistas em computador funcional
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Novos elementos incluídos em um relatório da Polícia Federal revelam que o agente Wladimir Soares, atualmente réu por envolvimento em tentativa de golpe de Estado, armazenava áudios com conteúdo golpista diretamente em seu notebook funcional. As gravações foram recuperadas a partir de um backup acessado pelos investigadores.
As informações constam em documento enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF) na quarta-feira (14), no qual a PF explica como teve acesso aos áudios que detalham planos violentos para impedir a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O material foi recuperado por meio da análise do backup do WhatsApp armazenado no computador de uso profissional do policial.
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“A Polícia Federal logrou êxito em recuperar o arquivo de backup do aplicativo WhatsApp, que estava armazenado, em sua maioria, no notebook funcional do indiciado, identificando registro de conversas relevantes para o contexto investigativo”, afirma o relatório.
Gravações revelam plano para prender e eliminar autoridades
Os áudios mostram que Wladimir planejava, junto a outros envolvidos, prender ministros do Supremo Tribunal Federal e até eliminar pessoas consideradas obstáculos a um suposto governo de exceção. Em uma das mensagens, o agente afirma que sua equipe estava pronta para “matar meio mundo”, caso fosse necessário.
Em outra gravação, Wladimir expressa frustração com o ex-presidente Jair Bolsonaro, dizendo que ele “deu para trás” ao não autorizar ações mais drásticas para barrar a posse do então presidente eleito Lula.
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Segundo a investigação, Wladimir admitiu em mensagens de áudio que fazia parte de uma equipe de operações especiais preparada para defender Bolsonaro. Ele afirma que o grupo estava armado e pronto para agir contra qualquer pessoa que se colocasse no caminho.
PF considera material como prova complementar no julgamento
A Polícia Federal classificou os áudios como novos elementos de prova que reforçam o “contexto fático criminoso” já descrito no relatório final da investigação. Entretanto, como os dados foram adicionados posteriormente, só poderão ser usados no processo em curso caso as defesas dos réus já tenham acesso ao conteúdo e possam se manifestar oficialmente ao STF.
O ministro Alexandre de Moraes, relator do caso no Supremo, determinou que os novos materiais sejam disponibilizados às defesas de todos os denunciados, como parte do devido processo legal.
Detalhes sobre os planos golpistas
Em um dos trechos mais contundentes, Wladimir afirma que o grupo estava “preparado para prender Alexandre de Moraes” e que ele mesmo estaria envolvido diretamente na operação. “Eu ia botar para f*** nesse f***”, diz ele em uma das gravações, referindo-se ao ministro do STF.
Apesar da disposição para agir, o plano foi frustrado pela ausência de uma ordem direta por parte de Bolsonaro, segundo o próprio agente narra nos áudios recuperados.
Origem do caso e apreensões
Wladimir Soares foi preso preventivamente após a descoberta de que compartilhava informações sensíveis da segurança presidencial com aliados do governo anterior. Durante a operação, a PF apreendeu celulares e equipamentos eletrônicos, incluindo o notebook onde os áudios foram armazenados.
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Natural de Salvador e com mais de duas décadas na corporação, Wladimir agora enfrenta acusações graves formuladas pela Procuradoria-Geral da República, que o acusa de integrar um grupo que tentou subverter a ordem democrática no Brasil.